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VIDA NAS BARRACAS ERA UM “INFERNO”

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Passada a enxurrada, que mais pareceu um dilúvio, muita gente voltou para casa, limpou a lama que ficou, tratou de se reestruturar e dar a volta por cima. Mas isso foi um ?privilégio? de quem perdeu tudo, menos a casa. Para mais de 17 mil famílias que perderam a casa, os dias que se seguiram à enchente foram de incertezas, algumas morando em barracas de lona, outras em casas alugadas ou alojadas na casa de parentes, numa espera angustiante para recomeçar a vida num novo lar, que alguns qualificam como ?pior do que a enchente?. Para a maioria, a vida nas barracas é ?um inferno?; para outros, é pior que isso, como afirmou a dona de casa Silvânia Oliveira, em reportagem recente da Gazeta. ?Nem no inferno é assim. Porque se o Cão tivesse que morar numa barraca daquelas, sairia correndo de lá?. Foi por isso que o governo decidiu entregar, no Natal do ano passado, 1.680 casas para as vítimas da cheia que ainda estavam em barracas de lona, mesmo sem ter a infraestrutura dos conjuntos habitacionais concluída. ?Foi uma decisão humanitária, devido à situação em que essas famílias se encontravam nas barracas de lona. Aquilo era um campo de concentração. As casas estavam prontas, mesmo sem a infraestrutura externa, e avaliamos que qualquer casa era melhor do que os acampamentos?, diz o vice-governador José Thomaz Nonô, coordenador da Reconstrução em Alagoas.

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