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“Tenho f� que vou receber a minha casa”

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Em Branquinha, o trabalhador rural Edson José dos Santos passeia pela enorme área baldia onde, antes, era o comércio da cidade. Após a linha férrea, onde os trilhos retorcidos pelas águas renderam imagens impressionantes da força da água, nenhuma casa escapou. Hoje, apenas algumas bases de cerâmica lembram o que um dia fora o coração da cidade. ?Aqui era uma rua com casas dos dois lados, ali era o posto de saúde, um supermercado, uma pousada. Eu morava lá em baixo e, quando vi o nível da água subir rapidamente, subi para a casa de um amigo. De madrugada, quando a água baixou, desci um pouquinho e vi uma imagem na escuridão. Pensei que minha casa tinha ficado de pé, mas era só o trilho todo retorcido e levantado num arco, que de longe parecia uma construção?, relata ele, com o olhar triste. Do salário mínimo que ganha na usina, Edson tem que tirar R$ 120 para pagar o aluguel desde que ficou sem casa. Não aguentou ficar muito tempo nas barracas. Agora, ele tem medo de não receber a casa. ?Lá era muito difícil. Não consegui ficar. Mas estou aperreado, porque me disseram que só as pessoas que ficaram nas barracas até o fim vão receber a casa?, diz ele, desanimado. Só fica mais aliviado quando informamos sobre o compromisso anunciado pelo governo de contemplar com casa própria todas as famílias desabrigadas e cadastradas na época da cheia. ?Estou cadastrado e tenho fé em Deus que vou receber a minha?, conclui Edson. FA ?

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