Cidades
COMERCIANTES LUTAM PARA SE REERGUER
Rio Largo ? Quando a chuva cai e o rio começa a encher, ninguém que viveu o pesadelo da enchente consegue dormir nas cidades ribeirinhas. Em Rio Largo, Murici, União dos Palmares, Branquinha, Santana do Mundaú, São José da Laje, Quebrangulo, Paulo Jacinto, Jacuípe, Cajueiro, Atalaia, Joaquim Gomes, Satuba, Viçosa, Ibateguara e Jundiá ? cidades mais atingidas ?, as histórias de perda e superação parecem se repetir. O comerciante Adelson Benedito, 61 anos, vizinho de seu Pedro e dona Lourdes, em Rio Largo, diz que a morte quase o arrastou no dia da cheia. Quando a água subiu, ele estava no primeiro andar da casa do filho, ao lado da loja, e desceu um pouco para tentar pegar uma máquina de lavar que batia contra a parede. Foi quando a casa caiu sobre ele. Quebrou vários dentes, machucou um tendão, afundou na água, mas conseguiu sair nadando pela rua, em meio à enxurrada, até ficar preso no primeiro andar de uma casa, na mesma rua. ?Fiquei sozinho, com câimbras pelo corpo inteiro e esperando a morte me levar de vez. Graças a Deus, fui resgatado depois de algumas horas?, relembra ele. Depois de morar um ano num prédio abandonado, reconstruiu a casa e reabriu a loja de móveis no mesmo lugar.