Cidades
V�TIMAS DA CHEIA AINDA CHORAM
Alagoas, junho de 2010. Numa fúria inesperada, as águas dos rios Mundaú, Paraíba e Jacuípe invadiram cidades alagoanas com a força avassaladora de um tsunami, matando pessoas, derrubando casas, arrastando pontes, retorcendo trilhos e removendo estradas. Desenhando, num rastro de dor e destruição, o cenário de um desastre natural de dimensões nunca vistas no Estado, considerando os números de cidades e famílias atingidas e dos prejuízos deixados. Naquele dia, o aposentado Pedro José da Silva, 78 anos, esqueceu que ?homem não chora?, como diziam seus pais e seus avós, e chorou ao ver que a casa que levara a vida para construir, na Rua Manoel Zacarias, no município de Rio Largo, tinha sido arrastada pela enxurrada com tudo o que tinha dentro. E não chorou sozinho. Diante de tanta destruição, nem mesmo o então presidente Lula conseguiu conter as lágrimas de emoção ao pisar na cidade devastada. Igual a milhares de alagoanos vítimas da mesma tragédia, Pedro José e sua mulher, Maria de Lourdes da Conceição, 67 anos, perderam tudo o que tinham, até mesmo os documentos. Ficaram apenas com a roupa do corpo, encharcada de água e de lama. E, naquele momento, àquela altura da vida, eles pensaram que não lhes restara nem a esperança de reconstruir.