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“Nem porco de rico mora onde a gente mora”

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Enquanto isso, Maria Aparecida da Silva, esposa do trabalhador rural Zegival Florêncio, lembra os transtornos vividos na Favela do Alemão durante a cheia. Segundo ela, a água derrubou as paredes, a fossa afundou e eles perderam tudo o que tinham. ?A gente teve que ficar no grupo escolar, mas com um mês mandaram todo mundo sair, porque as crianças precisavam estudar?. Tanto eles como todos os moradores da Favela do Alemão, em Rio Largo, voltaram para a área de risco e reergueram os casebres. EMPESTO O beco que dá acesso à favela está tomado por sapinhos. São centenas deles a cada metro, pequenos, menores do que uma unha, mas numerosos; proliferam pelos buracos, como formigas em fuga. As paredes de barro úmidas tremem mediante qualquer empurrão ou encosto. Gambiarras de fios descascados são vistas por todos os lados, paredes dão choques e a água das lagoas não para de subir. ?Nem porco de rico mora onde a gente mora?, observa Flaviana Vilela. Mais de 50 famílias da comunidade decidiram ocupar as casas, mesmo sem água ou energia elétrica, dizendo que qualquer lugar é melhor do que o Alemão. ?Há mais de dez anos, a prefeitura promete essas casas. Aí veio essa cheia grande, mas agora a gente tem medo de perder para o povo que mora na beira do rio. Prometeram entregar no dia 20, depois no dia 30, agora já empurraram para o dia 20 do outro mês?. Depois da cheia, Zegival teve de aterrar a fossa que ficava abaixo da cozinha e fazer outra. Hoje, a fossa está bem abaixo da cama de casal. O aposentado Jeferson Lourenço reclama da invasão de bichos peçonhentos. ?A situação está um caos, entra cobra, barata, sapo, rato e até preá?. MG ?

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