Cidades
Parentes de mortos voltam a protestar
Um grupo de pessoas voltou a protestar, ontem, em frente à sede do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima. Eram parentes de pessoas mortas que aguardavam há mais de 24 horas as guias para sepultamento, que só seriam entregues após a assinatura do diretor-geral do IML, Luiz Mansur. Segundo os familiares, o diretor do IML de Maceió não apareceu para trabalhar ontem e inviabilizou a liberação dos corpos, que só pode acontecer com a guia de sepultamento. Ainda pela manhã, as guias foram encaminhadas para a residência do diretor, que passou a despachar os documentos da própria casa. Os parentes dos mortos ficaram revoltados com o descaso. No fim da manhã, as guias foram devolvidas ao órgão assinadas. Enquanto isso, Manoel Antônio dos Santos, que teve o filho assassinado na manhã da última quarta-feira, dia 27, continuava aguardando a liberação do corpo, que ainda seria levado para Matriz do Camaragibe. ?Estou esperando desde a noite de quarta e, nessas duas noites, precisei me abrigar na Praça da Faculdade, porque sou de outro município e não tinha para onde ir. Isso tudo para poder enterrar meu filho dignamente?, desabafou Manoel, que só conseguiu levar o corpo no início da tarde de ontem. A assessoria de comunicação do IML informou que o fato aconteceu porque o dia 29 de junho é um feriado estadual e que, por isso, o diretor não cumpriu o expediente na sede do órgão. Acrescentou, ainda, que no fim da manhã o problema estava resolvido e todos os seis corpos que permaneciam no IML já tinham sido liberados. A demora na liberação dos corpos não era a única reclamação. Os familiares também se queixavam que, para poder sepultar os mortos, tiveram que assinar um termo autorizando exumações, caso necessário. Isso porque corpos estão sendo enterrados sem passar pela necropsia, como consequência da greve dos médicos legistas, iniciada há dez dias. ?Além do descaso com a família, que fica esperando o corpo por dias, ainda temos que concordar em abrir os caixões de nossos filhos para o IML fazer a exumação quando bem entender. O Estado é o mais violento do País e agora não respeita nem os mortos?, disse um homem que não se identificou. ? * Sob supervisão da editoria de Cidades.