Cidades
Rede de baixo e m�dio risco n�o funciona
?O que falta mesmo é responsabilidade dos gestores municipais para assumir seus pacientes?, diz a médica obstetra Gilsa Bulhões, há 30 anos na maternidade do Hospital Universitário, que também viveu momentos de superlotação esta semana, após a divulgação do caos na Santa Mônica. Sangrando e com dores, a paciente Selma Rosa Alves estava no corredor, na última quarta-feira, vinda do Hospital São Vicente, em União dos Palmares. Nas suas contas, a gestação estaria com 7 meses e, no seu rosto, além do desconforto da dor, expressava-se a angústia de poder perder o bebê. ?Desde ontem, estou sangrando. Ele não mexe mais. Eu quero salvar meu bebê?, diz ela. Nesse momento, a médica passa pelo local, dá uma olhada e chama o maqueiro. O exame comprova: Selma está em trabalho de parto e o bebê parece bem. ?Chega muita gente aqui nessa situação. As prefeituras deveriam priorizar o equipamento de suas próprias unidades e, além de médicos generalistas, contratar obstetras, pediatras e anestesiologistas para atender às gestantes de baixo risco, evitando esses deslocamentos na hora do parto?, diz ela, destacando que nem mesmo as curetagens são feitas nas unidades, seja na capital ou no interior. ?Por causa do baixo valor, ninguém quer fazer. Vem tudo para o HU e acaba ocupando vagas e profissionais que poderiam estar atendendo às gestantes de risco?, diz Gilsa Bulhões. FA