Cidades
CRIAN�AS EM RISCO S�O BENEFICIADAS
Maria José Francisco Pauferro sabe o que é sentir fome e não ter o que comer. Nunca esqueceu o jeito com que a mãe dividia um ovo frito em quatro partes iguais para saciar a fome dela e dos oito irmãos. Quando tinha almoço, comiam feijão puro. À noite, no jantar, antes de dormir, comiam pirão feito com o caldo do feijão que sobrava do almoço. Pela manhã, de barriga vazia, seguiam para os canaviais de Passo do Camaragibe, onde trabalhavam no preparo da terra, no plantio e corte da cana. ?Sofri muito, passamos muita fome. Depois fui trabalhar em uma escola, com 10 anos de idade, e sonhava poder ajudar crianças, para que elas não sofressem do jeito que sofri?, diz Maria José, a Maria, como é conhecida pelas mães batalhadoras da comunidade da Santa Lúcia. A Associação Beneficente da Santa Lúcia luta para manter o trabalho social há 15 anos. ?Já teve dias aqui de não ter alimentação?, diz Maria, que nesses momentos apela para a partilha solidária, onde as crianças dividem com os mais necessitados o pouco que trouxeram de casa.