Cidades
Eterna busca por restos de comida
Mesmo abaixo da linha da pobreza, atolado no lixo, passando fome ou insano pelo crack, o cidadão não perde a capacidade de sonhar. O pequeno Francisco ?não sei não o resto do nome? tem um sonho simples. ?Eu queria ter um cavalo só meu?. Por que? ?Porque acho bonito?, responde o menino de dez anos que diz não fazer nenhuma questão para ter um carro. O negócio dele é andar a cavalo, galopar com a brisa da Lagoa Mundaú nos cabelos. Enquanto jovens ricos se divertem em lanchas e jet skys, Francisco e o irmão, Marcos José de Lima, 17, saem de carroça, do Bom Parto, para conseguir restos de comida no Mercado da Produção. ?Todo dia a gente vem pegar lavagem para a criação de porcos do nosso pai?, conta Francisco. Com a carroça cheia, os dois faziam uma pausa na primeira viagem, comendo pastéis, e dando alfaces para o cavalo do pai?. Perguntados se não deveriam estar na escola, os dois tentam disfarçar, logo pensando que os repórteres poderiam ser fiscais, o que prejudicaria o pai que explora o trabalho deles. ?Hoje não teve aula no Cepa?, mentiram, esquecendo que já tinham dito que transportam a lavagem todos os dias. Segundo os meninos, parte das frutas, legumes e hortaliças serve aos porcos, outra parte vai parar na mesa do almoço da família. MG