Cidades
GREVES NO IML DEIXAM RASTRO DE DOR EM CENTENAS DE FAM�LIAS
As duas greves e o pandemônio administrativo no Instituto Médico Legal (IML) deixaram chagas indeléveis entre os vivos e os mortos. Mais de duzentas famílias em luto por morte violenta sofreram a aflição de não poder enterrar a pessoa amada. Ou pior: tiveram que aceitar um ?sepultamento temporário? (se é que esse termo existe) sem a devida Declaração de Óbito (D.O.) nem os exames da necropsia. Além de tudo isso, 181 cadáveres terão de passar por exumação, uma sinistra coincidência com o alardeado número do Disque-Denúncia 181, da Secretaria de Estado da Defesa Social do Estado de Alagoas (Seds). É como se as 181 almas clamassem por documentos que podem esclarecer homicídios, liberar inventários, garantir seguros por acidentes de trânsito ou pensões para herdeiros em fragilidade financeira. São 181 vítimas da violência e do desprezo estatal que podem ser reunidas para denunciar uma incompetência vil e cruel. ?O IML é uma bagunça, aquilo lá é um frigorífico humano?, resume o eletricista Genilson Paula de Almirante, que enterrou a filha de 25 anos no dia 1º de julho, sem o laudo da perícia e sem a certidão de óbito. Lícia Gardênia foi assassinada em 29 de junho, junto com o namorado, e ambos devem ser retirados da cova. Só não se tem a menor ideia de quando será a exumação, no fim de outubro, no fim de 2013 ou em 2014.