Cidades
OS NOVOS GUERREIROS DA TERRA DE ZUMBI
O povo sobe a serra e Zumbi desce sobre ela. Vinte de novembro é o Dia da Consciência Negra, data em que morreu o líder da maior resistência contra a tirania da escravidão, no longínquo ano de 1695. Até hoje, 317 primaveras depois, o espírito guerreiro do grande Quilombo dos Palmares ecoa como tambores na linha do tempo. E repercute na alma das novas gerações. ?Zumbi é a serra?, resume o B-Boy Chokito, dançarino de break nascido em União dos Palmares há 17 anos e registrado no cartório como Eves Silvestre da Silva. A terra de Zumbi tem novos guerreiros negros. Eles lutam por arte, cultura, educação e respeito para manter os valores conquistados pelos antepassados a ferro e fogo. Suas armas são os versos do hip hop, os passos da dança de rua, o grafite, as redes sociais, o cineclube e outras artimanhas que nem o mais astuto quilombola poderia imaginar. As raízes e a lógica da capoeira, do candomblé, do jongo, dos batuques e do dendê são mantidas, mas tudo com um elemento novo: o gingado do século 21. Eles se reúnem em grupos como o coletivo ?A Fábrica?, a trupe de dança ?União Quilombrothers? e oficinas de stencil, com o grafiteiro e rapper Zulu, para reforçar a batalha contra o preconceito e pela autoafirmação. ?Há uma nova geração do movimento negro, com grupos culturais que surgem aqui. Os primeiros movimentos aconteceram há alguns anos, mas foram trazidos de fora. Foi preciso vir umas freiras e um padre do Canadá para as primeiras bandas afro daqui serem criadas. Hoje é diferente?, explica Zema Ferreira, do coletivo A Fábrica.