Cidades
Alagoas reduz desigualdades
Em dez anos, Alagoas melhorou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), mas ainda está na colocação mais desconfortável nos indicadores de cor, sexo e área urbana em comparação a outras localidades do Brasil. Um dos pontos positivos é que a Grande Maceió foi a que registrou a maior redução na diferença desse índice entre as populações branca e negra. Essa conclusão consta no estudo produzido pela Fundação João Pinheiro, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD), que foi divulgado ontem. De acordo com o levantamento, Alagoas e também a região metropolitana de Maceió evoluíram significativamente no IDHM entre 2000 e 2010. Esta década de ouro, porém, ainda é maculada devido aos indicadores negativos para quem é negro. Em 2010, o IDHM da população negra em Alagoas era o pior do Brasil; mesmo cenário observado dez anos antes. Na análise feita entre as Regiões Metropolitanas (RMs) brasileiras variou entre 0,673 (RM Maceió) e 0,757 (RM Distrito Federal). Isso quer dizer que o índice da capital alagoana era o mais baixo em relação às demais áreas pesquisadas. Já em 2000, foi de 0,527 (RM Maceió) a 0,630 (RM Vale do Rio Cuiabá e RM Campinas). É a prova cabal de que, em uma década, Alagoas e Maceió pouco evoluíram nas políticas de inserção da população negra no contexto social e econômico. Para a população branca, o cenário também não era animador tanto em Alagoas como na região metropolitana. Apesar de estar à frente dos negros nesse indicador, o IDHM nas RMs brasileiras em referência aos brancos variou entre 0,753 (RM Maceió) e 0,838 (RM Distrito Federal). E em 2000, o IDHM nas RMs brasileiras da população branca oscilou de 0,654 (RM Maceió) a 0,746 (RM Grande Vitória). Em dez anos, a Grande Maceió não deixou de ocupar a última colocação também nesse ponto. Como evolução, o relatório Desenvolvimento Humano para Além das Médias: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal por cor, sexo e situação de domicílio traz a melhora no IDHM quando é feita a comparação da disparidade entre negros e brancos na região metropolitana. Há uma queda de 0,047 na diferença entre as raças. O professor doutor Jorge Luiz Riscado, que atua na pesquisa sobre etnias na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), comenta que a redução da diferença no IDHM entre brancos e negros se deve, entre outros fatores, às políticas de inserção étnica adotadas pelo governo federal a partir de 2003. A criação das cotas para seleção de vagas destinadas à população negra nas universidades seria um dos motivos da melhoria no indicador educacional.