Cidades
COMERCIANTES TEMEM PREJU�ZO
Para garantir 50 PFs (pratos feitos) por dia, dona Tânia precisa de uma caixa de 500 litros, um reservatório extra de 250 litros, um tonel, uma bacia, baldes e três caldeirões, todos cheios de água. Ela mora no Santos Dumont e entrou em polvorosa quando soube que nada sairia das torneiras durante os dias pares. Nos dias ímpares, em compensação, a água não para de jorrar até encher tudo de novo. ?A água é essencial para tudo. Quando ela fica fraquinha já é ruim, mas faltar de vez nunca tinha faltado. O povo aqui usa muito o banheiro e deixa daquele jeito, é onde a gente mais usa água para lavar?. Enquanto reclama, a dona do restaurante Anhangüera (com trema mesmo) se desdobra para lavar a louça, as panelas, limpar a alface, as verduras e passar o pano úmido nas mesas. ?Uma cozinha sem água fica difícil, não tem explicação, principalmente aqui que faz muitos cozinhos?, ilustra a cozinheira do estabelecimento, Rosenilda Alves. Quando chega na residência que habita, ela ainda tem mais trabalho. ?Ontem à noite eu enchi o tambor de uns cem litros, a bacia e os baldes, mas tem que estocar mais água, comprar outro tambor para encher?. No salão de beleza Mary Cabelos não é menos difícil. ?A água é para lavar os cabelos, fazer higiene, escova progressiva, definitiva, selagem. O alisamento gasta muita água, lava o cabelo e volta para o lavatório três vezes. Tem os químicos e, sem hidratação, em pouco tempo, os cabelos das clientes cairiam e eu seria processada?, imagina a cabeleireira Maria Gomes, a Mary.