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O DRAMA DE FAM�LIAS QUE VIVEM NA MIS�RIA EM PR�DIO ABANDONADO

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O quartel virou um prédio fantasma, com ar pesado e sombrio. Buracos nas paredes revelam vultos. Um olhar mais atento mostra que não são fantasmas, parecem zumbis, mas estão vivos, molambos, esfarrapados pela miséria e inanição. Olhos e cabeças começam a aparecer na fachada da antiga sede do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPtran), em plena orla marítima de Maceió, vizinho à Procuradoria Geral do Estado (PGE), na Avenida da Paz. Um pouco acima do brasão do Pelotão Águia, os olhos do menino brilham como tocha dentro da caverna. A mãe dele estica o pescoço, expõe a cabeça buraco afora e grita para o fotógrafo Marcelo Albuquerque: ?Filma eu aqui?. Não há mais dúvida, o imóvel está ocupado e, definitivamente, não por fantasmas ou zumbis. São cerca de dez famílias sem-teto se revezando na ocupação, que já dura mais de uma década. A mãe é Fabiane Alves dos Santos, 30 anos, nascida em Palmeira dos Índios, órfã, menina de rua desde os 8 anos, viúva e despejada da Vila Brejal. O menino dos olhos de tocha é um dos filhos dela, Arthur Ítalo Alves da Silva, 12 anos, aprendeu a arte dos malabares para pedir dinheiro no semáforo e ter comida. É preciso ser malabarista para sobreviver se arriscando entre os carros, a violência e a fome, com os pés descalços na chapa quente do asfalto.

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