Cidades
O MUNDO � DIF�CIL, E A GENTE SEGUE SOFRENDO
De repente, passos de crianças correndo são ouvidos acima da escada sem corrimão. É o pequeno Rafael Samuel, 2 anos, filho de Jéssica Farias da Silva. Logo atrás dele vem a mãe, preocupada com a chegada dos visitantes estranhos, no caso, nós, da reportagem da Gazeta. Na espreita, atento a todo o movimento, o companheiro dela espera ter certeza de que tudo está tranquilo para aparecer. É o Macgyver Moura da Silva, 32 anos, morador mais antigo do imóvel, domiciliado nos escombros do quartel desde o ano 2000. O nome diferente é uma homenagem ao famoso protagonista de um seriado de TV americano das décadas de 80 e 90. ?Passava na Globo, a minha mãe era fã?, conta Macgyver. Como não tem as habilidades do herói-cientista que fazia bombas com chiclete e cozinhava ovos no radiador, o Macgyver alagoano apanhou muito da vida real. Foi morar na ?caverna? da Praia da Avenida, mas não perdeu em sua essência a capacidade de amar e conheceu Jéssica. Em meio aos detritos e bolores, o casal aparece de mãos dadas, com gestos carinhosos e expressões românticas entre si. Parecem pombinhos dentro de um covil. ?Sou apaixonada por ele, amo muito, ele é o meu amor?, afirma Jéssica, com um jeito de falar musical. Macgyver fica acanhado, tenta disfarçar e não consegue. Corresponde ao aperto de mão, abraça a amada e estampa um sorriso orgulhoso, com expressão meio marota no rosto. Mesmo assim, muda de assunto (parece não gostar de falar da intimidade). ?Sonho em ter uma casa boa, para Deus nada é impossível?.