Cidades
Obra prejudica alunos especiais
O cenário é medonho. A entrada caindo aos pedaços é o primeiro sinal do caos que se tornou o centro de referência de educação especial de Alagoas. Quem abre o portão enferrujado pode contrair tétano. Quem entra pode sofrer fobias, depressão ou pânico. A Escola Estadual Wandete Gomes de Castro está em reforma há mais de um ano, mas nem parece. O mato cresce por todo lado, salas estão sem teto, entulhos, cacos, pedras e pregos ficam espalhados e oficinas profissionalizantes viraram escombros. Como um aluno com autismo ou algum transtorno global de desenvolvimento pode entrar naquele antro de animais peçonhentos? O governo entende que a situação é de emergência, conseguiu superar os entraves burocráticos para fazer a reforma sem licitação, mas não se tem a menor ideia de quando as obras serão encerradas. Os próprios operários evitam dar um palpite, reclamam da falta de mão de obra e criticam a construtora responsável pela obra sem fim. Ontem pela manhã, as professoras, psicólogas, assistentes sociais e pedagogas se espremiam num cantinho de corredor a céu aberto próximo à copa. Tiveram que se desvencilhar entre vergalhões e restos de material de construção abandonado para chegar até lá. O que poderia ser o primeiro dia de trabalho do ano se transformou num rosário de lamentações sobre a reforma malsucedida, o descaso, a penúria e a aflição de imaginar como estão os alunos autistas e com deficit de aprendizagem sem qualquer acompanhamento.