Cidades
Pais enfrentam supl�cio por vaga em escola
Bancos, cadeiras, pedras, carretéis de fio, cacos de porcelana, um tronco queimado e até o pedaço de um chafariz. Tem de tudo marcando lugar na fila da Escola Municipal Antídio Vieira, no Trapiche. Só não tem gente. Ninguém aguenta ficar lá o dia inteiro, debaixo de sol, ou à noite, no sereno, esperando até o dia 21 de janeiro para conseguir a vaga do filho no ensino fundamental. Então o pessoal dá um jeito, mas tem que ficar por perto, tocaiando a pedra, o pau ou objeto que demarca o território. Senão vale a máxima: ?foi pro vento, perdeu o acento? ou ?foi namorar, perdeu o lugar?. Engana-se quem pensa que a fila é uma bagunça. Pelo contrário, todos os lugares são numerados e o detentor do espaço precisa comprovar aos outros ocupantes que merece manter aquela posição. Todo ano é a mesma coisa, o suplício das mães se repete por causa da falta de vagas na região. Todas têm que fazer como a dona de casa Verônica Bernardino, que chega logo cedo na fila, passa cerca de duas horas, volta para casa, prepara o almoço, retorna para a fila e por aí vai, numa maratona que deve durar quinze dias. Perguntada se não pensa em procurar uma matrícula mais fácil, como na Escola Tarcísio de Jesus ou no Caic do Virgem dos Pobres, Verônica descarta. ?De jeito nenhum, aqui na Antídio a escola é ótima, fica perto de casa e é tudo organizado, nessas outras é muito perigoso?. Com essa explicação, as mães zelosas preferem sofrer para conseguir a melhor opção para os filhos. ?Eu e meus 9 irmãos estudamos aqui, agora chegou a vez do meu filho?, conta, orgulhosa, com uma sombrinha na mão, para se amparar do sol.