Cidades
Quero que todos saibam do milagre que eu vivi
O policial civil Genival Maurício da Silva é um homem que mistura firmeza e serenidade no olhar. Vinte e três dias depois da explosão da sede da Deic, depois de muita dor e sofrimento em um leito do Hospital do Açúcar, ele se recupera na casa da sogra. Sofreu fraturas na bacia e nas costelas. Ainda não pode andar, o que só deve ocorrer daqui a 60 dias. Mas já iniciou a fisioterapia. Ele recebe a reportagem da Gazeta na sala da casa. Está acomodado em uma poltrona reclinável, que lhe deixa quase deitado com as pernas para cima. É cortês no trato com os repórteres, mas avisa: ?Não estou aqui para criticar ninguém, nem apontar os responsáveis pela explosão. Isso não cabe a mim?. Alerta ao repórter fotográfico José Feitosa que não quer ser identificado nas fotos. Explica que por causa de sua função na Deic prefere não aparecer. ?Olha, Lelo, ninguém, nem meus amigos, nem meus familiares, concordou com essa entrevista que vou te dar. Mas eu decidi que iria falar, porque eu quero que todos saibam do milagre que eu vivi?, diz Genival, ao lembrar do momento em que pensou que morreria sob os escombros da sala em que trabalhava na sede da Deic. O relato dele à reportagem da Gazeta sobre o que aconteceu naquele dia ganhou forma de texto.