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Moradores interditam AL-101 em protesto contra acidentes

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Moradores de Ipioca interditaram, durante quase toda a manhã de ontem, a AL-101-Norte, num protesto tenso, onde houve queima de troncos e palhas de coqueiros, contra a impunidade de pessoas envolvidas em várias mortes no trânsito na região. Eles exigiam a colocação de lombadas eletrônicas, radar fotográfico ou qualquer outro mecanismo capaz de obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade na área. O último acidente, ocorrido há um mês e três dias, provocou a morte de mãe e filha: com 25 anos e 1 ano e 4 meses, respectivamente. A Rodovia AL-101 Norte está sob jurisdição do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que contou com ajuda da Polícia Militar de Alagoas para desobstrui-la. O protesto só terminou quando os moradores, revoltados com as inúmeras mortes já registradas naquele trecho da rodovia, aceitaram negociar com o diretor-geral do DER, José Faustino. Na reunião, realizada à tarde, ficou acertado que o DER começa a instalar, hoje, lombadas convencionais (os conhecidos quebra-molas), até que seja concluído o processo para instalação de lombadas eletrônicas. ?Alcançamos nosso objetivo. Com a lombada vamos evitar novas mortes?- salientou Carlos Marreta, presidente da Associação de Moradores de Ipioca. Temporariamente, os moradores concordam com o quebra-molas. Impunidade O acidente que matou mãe e filha revoltou a população do distrito. Com mais este caso, a comunidade decidiu interditar a via, para exigir do Poder público providências capazes de evitar outras mortes. No protesto, os moradores cobraram, também, a punição do soldado Jorge, apontado como responsável pelas mortes. Segundo o esposo e pai das vítimas, Luiz Branco Bezerra, o soldado dirigia embriagado e chegou a exibir um revólver calibre 38 no momento trágico em que os corpos se encontravam no asfalto. ?Exijo a punição do acusado e a colocação de um quebra-molas ou sinal eletrônico que evite acidentes como estes, para que outros não percam filhos ou fiquem viúvos como eu?, declarou Luiz, em tom de revolta, durante o protesto. Cartazes exigindo providências apontavam os nomes das duas últimas vítimas: Tayana e Gercina, mas segundo Dilma Silva Elias, 11 pessoas já foram acidentadas na região, das quais nove morreram e duas crianças ficaram paraplégicas. ?Eu perdi meu irmão, Severino Vieira dos Santos, de 37 anos, há quatro anos e não vamos sair daqui enquanto não resolverem o problema?, afirmou Dilma. O carro de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros foi acionado para conter a interdição com a queima de materiais na pista, mas ficou aguardando um acordo entre a comunidade, bastante agitada, e representantes do Centro de Gerenciamento de Direitos Humanos da Polícia Militar. A pista permaneceu interditada das 7 às 11 horas. Nesse período, formaram-se filas quilométricas de veículos na rodovia, sobretudo de caminhões, ônibus e Vans. Muitos veículos de passeio acabaram desistindo, por causa da espera, e retornaram sem chegar ao destino. Pelo menos três ônibus de turistas ficaram retidos, cada um com cerca de 40 pessoas, dois ficaram esperando porque se dirigiam a Paripueira, mas o outro, com destino a Maragogi, mudou o itinerário.

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