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LONGE DA LAGOA, FICA DIF�CIL ACHAR TRABALHO
O problema da falta de escolas é apenas um enfrentado pela comunidade que, de fato, tem crescido a cada dia. Muitas pessoas que viviam na lagoa, não foram beneficiadas com as casas e não queriam ficar longe dos amigos e familiares, acabaram também se mudando para a parte alta da cidade, formando uma nova favela, batizada de Santa Cruz. Segundo Vânia Teixeira, hoje existem quase 500 barracos de lona erguidos em um amplo terreno localizado próximo às casas construídas pela prefeitura. Lá, muita gente ainda arrisca sobreviver do trabalho com o sururu. Com a longa distância da lagoa, essas famílias enfrentam um verdadeiro martírio para trabalhar. Maria Irene da Silva, 42 anos, diz não saber fazer outra coisa da vida. Ela decidiu morar em um dos barracos na parte alta para poder ficar perto do filho e da nora, que foram contemplados com um imóvel no Cidade Sorriso 1. Para ter acesso ao sururu, um grupo de pessoas sai do Benedito Bentes, todos os dias, de ônibus, nas primeiras horas da manhã, em direção à orla lagunar. Além da distância entre a parte alta da cidade e a região das lagoas, os pescadores e marisqueiros enfrentam dificuldades para transportar o marisco, já que motoristas, cobradores e passageiros reclamam, a todo instante, da sujeira e do mau cheiro causados pelo sururu.