Cidades
Sem-terra reocupam fazenda palco de crime
Atalaia ? A luta pela terra de centenas de famílias do Movimento dos Sem Terra (MST), em Atalaia, intensificou-se na manhã de ontem. Assim que o sol raiou os trabalhadores que haviam sido despejados em novembro do ano passado reocuparam a Fazenda São Sebastião, no povoado Ouricuri. Segundo as lideranças, a retomada da área é uma questão simbólica para a luta agrária, na região. ?Foi lá que morreu um companheiro nosso e, mesmo depois de estarmos no local produzindo a Justiça manda nos retirar e devolve a terra para o mandante do crime. Isso é uma vergonha para o Estado?, declarou, por telefone José Roberto da Silva, da direção nacional do MST. Quanto ao crime, ele se referiu a morte de José Melquíades, ocorrida há 9 anos, na principal estrada de acesso à sede da fazenda que pertenceu à Usina Ouricuri. Na tarde de ontem, a Gazeta esteve na área de 351 hectares e encontrou casas da antiga usina já sendo reocupadas pelas famílias. À sombra de uma mangueira mulheres e crianças esperavam os barracos serem erguidos e cobertos com a tradicional lona preta. Identificando o acampamento uma bandeira do MST. Mas, nesta ocupação eles contaram com o apoio de famílias da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST).