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Rio que devastou cidades seca

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Com uma área total de 4.126 km2, desde a nascente em Garanhuns (PE) até desembocar na Lagoa Mundaú, em Maceió, o Rio Mundaú perdeu, ao menos temporariamente, sua força e majestade. O rio que em 2010 encheu a ponto de provocar a destruição de cidades está tão seco hoje que, em alguns trechos a travessia é feita a pé, de bicicleta ou moto, como fazem trabalhadores da Usina Serra Grande, que moram nas proximidades do povoado Muquém, em União dos Palmares. Em Santana do Mundaú, há um campo de futebol de areia no leito do rio, onde moradores das cercanias jogam peladas nos fins de semana. ?A gente num pode dizer que está todo seco, tem água correndo aí, né? Mas nessa idade toda que eu tou nunca vi o Mundaú desse jeito!?, diz com a expressão serena, Carmem Lúcia Nunes, de 51 anos, moradora do Muquém. Conhecida como dona Uda, ela conta que o marido é trabalhador da usina e tem ido ao trabalho atravessando o Rio Mundaú a pé. A família, formada por 10 filhos, é mantida com o salário do marido e a exploração do barro que ela tira do lajedo e que, além de vender até a terceiros, serve para a mãe, dona Marinalva Bezerra, de 74 anos, produzir as já famosas panelas artesanais que saem do Muquém para serem vendidas em feiras livres pelo Estado a fora.

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