Cidades
Choro e gritos de dor ecoam no corredor
Calor, barulho, sujeira, moscas, catinga e gemidos de dor. Cada passo nos corredores do HGE é um novo suplício. Um paciente usa a alpercata como travesseiro, outro se cobre com a toalha que a esposa trouxe de casa, três homens carregam uma mulher no braço, uma criança no braço do pai vomita sangue. Quem está perto se espreme nas paredes para não sujar os pés. O Centro Cirúrgico está cheio de pacientes em macas, um deles está quase caindo, mesmo preso ao respirador. Um das pernas está quase toda fora da maca, o braço dependurado chega com a mão bem perto do chão. Se o jornalista for visto com uma máquina aqui dentro, é expulso na hora. Mesmo assim, Felipe Brasil saca o equipamento da bolsa, coloca no rosto e dispara. Três pessoas de jaleco viram, ficaram surpresos, mas não contaram nada à administração. No corredor, gritos de dor: um paciente engasgado não para de tossir; outro chora, reclama da dor, diz que o efeito do remédio já acabou há horas e pede uma nova dose. É José Cláudio Torres, que vira a cabeça para trás e encara as lentes da Gazeta, com os olhos esbugalhados de agonia e revolta. ?Aqui é o corredor da morte mesmo, não tem médico, não tem tratamento e está faltando até o remédio para diminuir a dor?. MG