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Mendigos tomam conta da �rea nobre de Macei�

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A miséria se espalha. Maceió é o Paraíso das Águas com miséria, em tempos de Brasil sem Miséria. O suprassumo da área nobre mais cara do litoral alagoano não deixa de ser miserável. Mendigos, sem-teto e famílias inteiras se abrigam em meio à paisagem de cartão-postal em points como a Praça dos Sete Coqueiros, a enseada de Pajuçara, a curva do Alagoinha, o calçadão de Ponta Verde, a barraca Lampião, e os gramados da Lagoa da Anta. Da Praça Multieventos ao Posto 7, a pobreza é a cara da riqueza. Tem nada não, basta olhar de lado, apressar a pisada do Mizuno e aumentar o volume do iPhone: ?Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes?, chateiam os Titãs. Se cooper à beira-mar alivia o estresse, mendigo na orla é poluição visual? ?A morte não causa mais espanto, o sol não causa mais espanto, miséria é miséria em qualquer canto?, insiste a música de Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Paulo Miklos. O perímetro ao redor da feirinha de artesanato tem a maior concentração de turistas por metro quadrado da capital. No vaivém frenético em busca de bugigangas, tapiocas, cervejas e águas de coco, um colchão em cima da grama bem aparada chama a atenção. Manuel Jacinto Pereira, 47 anos, dorme à sombra do coqueiro, ao lado dos sacos, caixas e latas com lixo reciclável que recolheu na noite anterior. Ele mora lá, ao relento, sozinho. ?Meu companheiro é Deus?, diz Manoel, ainda com a cara de sono, amassada.

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