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Donos de cinquentinhas protestam

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Donos de veículos ciclomotores de cinquenta cilindradas ? as motos ?cinquentinhas? ? fizeram ontem a décima mobilização em cerca de seis anos. Desde que a habilitação passou a ser obrigatória ? no início desse mês ? aumentou o clima de revolta entre os que possuem esse tipo de transporte. Os condutores questionam que muitos usam esse meio para trabalhar e não têm condições financeiras de arcar com as despesas para o pagamento de taxas para retirar a habilitação, muito menos de passar pela seleção nos testes aplicados pelos órgãos fiscalizadores. Adeilton da Silva Santos é dono de uma ?cinquentinha? há quatro anos e participou da mobilização, que teve concentração em Jaraguá, seguiu pelo Farol e parou no Centro. Usa o transporte para levar a filha na escola, deixar a esposa no trabalho e para se deslocar aos serviços que consegue em Maceió como pintor. ?A gente questiona o valor da habilitação que é de R$ 700 e ainda tem a autoescola que a gente tem que fazer. Só sei ler e escrever. Não estudei. Como vou passar numa prova dessa??. Ele conta que teve duas ?cinquentinhas? roubadas por criminosos na parte alta da cidade. O comandante do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), major PM Felipe Lins, informou à Gazeta de Alagoas que, em dois dias de fiscalizações rotineiras, entre dez a 15 ciclomotores foram recolhidos. ?O intuito do BPTran é que esse tipo de transporte circule de forma regularizada. Do jeito que está, está uma bagunça?, afirma o comandante. Ele reforça que, durante uma abordagem, caso o condutor não possua habilitação ou a Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC), o veículo é recolhido. ACC SOCIAL O presidente da Associação dos Ciclomotores de Alagoas (ACA), Wilson de Oliveira, defende a chamada ACC Social para pessoas de baixa renda, a custo zero. ?Isso já existe em outros estados e queremos aqui que se tenha também uma habilitação para o analfabeto. Tem que se fazer alguma coisa por essas pessoas?. Wilson apresenta ainda números sobre esse tipo de transporte em Maceió e Alagoas. ?Circulam em Maceió mais de 15 mil ?cinquentinhas? e em Alagoas mais de 40 mil. A maioria é usada para o trabalho?, revela. A assessoria de comunicação da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) informou que o órgão tem atuado normalmente nas fiscalizações em parceria com militares do BPTran. A nova legislação considera que conduzir ciclomotores sem habilitação na categoria A ou ACC é considerado infração gravíssima. O condutor que não portar o documento será punido com multa no valor de R$ 880,41, sete pontos na carteira e retenção do veículo até apresentação de condutor habilitado. ?Mas, se ele tiver o documento, mas não estiver com ele no momento, é considerado infração leve?, afirma a assessoria de comunicação da SMTT. José Cícero da Silva comprou uma ?cinquentinha? em 2011. Utiliza no trabalho, para se deslocar aos locais onde atua como pedreiro e carpinteiro.

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