Cidades
Comunidade fecha rodovia para cobrar lombada
Todo morador de Sauaçuhy tem uma história de atropelamento para contar. É quase impossível encontrar alguém sem um parente ou vizinho que teve os ossos esmagados no asfalto da rodovia AL-101. Alguns morrem, outros ficam aleijados e a vida continua, ao léu. Há cerca de vinte anos, a comunidade realiza protestos pedindo lombadas, sinalização da pista e aumento do acostamento, mas nada acontece. Nas últimas três semanas, três crianças foram atropeladas. Foi o bastante para reinflamar a revolta que vivia morna no peito da comunidade. Munidos de paus, galhos e pneus, eles tocaram fogo na pista e interditaram o trânsito. Foi difícil chegar ou sair de Maceió pelo Litoral Norte, no início da manhã de ontem. Mais de cem pessoas bloquearam a estrada em dois trechos, das 5h30 às 9h. Uma fila quilométrica de caminhões, ônibus, carros e motos se formou nos dois sentidos da pista. Reclamações, xingamentos e gestos obscenos marcaram a reação do pessoal que queria passar, mas era proibido pelos manifestantes. O clima ficou ainda mais tenso depois que um policial militar resolveu dar uma de ?Durango Kid?, sacou a pistola 380 e ameaçou atirar contra donas de casa e pais de família. ?O elemento era mau, chamou um aposentado de vagabundo, disse que a gente não tinha o que fazer e devia limpar a bunda em vez de estar fechando uma pista?, denunciou a dona de casa Natália da Silva. ?É bom dizer que o trabalho da polícia foi bonito, eles chegaram aqui, todos educados, só tinha esse mau elemento no meio, um cabra de peia, disseram que o nome dele é Antônio?, completou José Cícero Alves.