Cidades
NE tem maior incid�ncia de trabalho escravo
O trabalho escravo no Brasil foi o tema principal do penúltimo dia do XX Encontro Nacional de Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit), que reúne ? desde o último domingo ? mais de mil auditores fiscais do Trabalho de todo o País, no Centro de Convenções do Hotel Meliá. De acordo com dados da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), no ano passado, mais de cinco mil trabalhadores deixaram o Estado para tentar a vida em usina de cana-de-açúcar em outros estados. Muitos deles acabam se submetendo ao trabalho escravo e degradante, sem direito à carteira assinada e a salários. São ainda vítimas de maus- tratos e trabalham às vezes até mais de 12 horas por dia, além de serem alojados em locais insalubres. Auditores fiscais do Trabalho que fazem parte de um Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego fizeram um relato das fiscalizações feitas em fazendas de diversos Estados brasileiros, onde foram constatados o trabalho escravo. A maior parte dos trabalhadores identificada nessa situação é oriunda do Nordeste. Por causa de denúncias apuradas pelos auditores do Grupo Móvel sobre o trabalho escravo em propriedade de políticos influentes junto ao governo federal, eles foram proibidos pelo ministro do Trabalho de dar entrevistas à imprensa sobre a questão. Segundo dados do próprio Ministério do Trabalho, o número de denúncias sobre o trabalho escravo passou de 462 em 1999 para 3.800 em 2002.