Cidades
Muitos casos chegam a chocar policiais
A mentira sempre ronda os casos de abuso sexual. O agressor rasteja traiçoeiro entre as veredas da inocência infantil e as trevas da perversidade. Engana, induz, extorque, ameaça e oferece prêmios para a criança ou o adolescente se manter calado. Tudo é obtuso, silencioso, obscuro, mas a verdade precisa ser acesa sob a luz de uma investigação diferenciada. Daí a importância da Delegacia de Crimes contra a Criança e o Adolescente. Os policiais precisam ter sensibilidade humana para tratar com as meninas, meninos, mães e outros parentes. Diante de crimes hediondos, as reações da alma humana se impõem sobre qualquer escudo de frieza e objetividade dos homens da lei. ?Já vi muito policial marmanjo chorar?, conta o chefe de Operações da especializada, Clayton Serpa. Entre tantos casos escabrosos que chegam ao seu birô, alguns não saem da cabeça do investigador, mesmo depois de esclarecidos. Um deles aconteceu há três meses e teve como vítima uma menina de 2 anos. ?Vai ficar na minha memória para o resto da vida. A criança deu entrada num hospital como se tivesse sofrido uma convulsão, mas os médicos denunciaram que era agressão física, com um diagnóstico chamado de ?síndrome do bebê chacoalhado??. A falsa informação da crise convulsiva foi passada pelo padrasto, que estava sozinho com a menina, em casa, na hora do chamado médico. Este homem pediu ajuda à avó da vítima (sogra dele), que morava vizinho, que inicialmente acreditou na história da convulsão e acompanhou a neta na ambulância.