Cidades
O tabu da inoc�ncia roubada
Alagoas teve mais de três mil denúncias formais de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes em 2012. O número, que já é chocante, pode ser bem maior porque uma imensa maioria dos casos não é denunciada. No Brasil, o Disque 100 já soma 3 milhões de telefonemas com relatos de todo tipo de agressão física e psicológica contra o público infantojuvenil. Um terço destas chamadas (1 milhão de casos) se refere à violência sexual. O assunto apavora muita gente, vira tabu em algumas famílias ou é solenemente ignorado por outras. Por mais que o tema venha exaustivamente à tona, é difícil achar alguém que se sinta totalmente preparado para resolver esse problema dentro de casa. E tudo se dilacera quando o agressor dorme debaixo do mesmo teto da vítima, posto que não é raro o envolvimento de tios, padrastos, pais, irmãos e amigos que frequentam a casa. Como perceber que a criança ou adolescente está sendo vítima desse terror? O que fazer para evitar? De que modo agir ao identificar o abuso? As perguntas são muitas e caem como navalhas afiadas na consciência intranquila dos responsáveis pela guarda daquele pequeno ser que ainda não sabe nada da vida. ?A primeira coisa que os pais devem fazer é ficar atentos?, responde o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, pediatra Cláudio Soriano. A partir daí, o desafio é romper a barreira do silêncio, já que algumas mães não acreditam nas crianças, não confiam, têm vergonha de tratar do assunto, não enfrentam o suposto agressor (que pode ser o próprio marido) por medo ou dependência financeira e terminam se tornando cúmplices.