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Tumulto e desespero na entrega de cart�o do Bolsa-alimenta��o

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Filas quilométricas, desespero e tumultos foram gerados na manhã de ontem, quando cerca de 10 mil mulheres tentavam entrar no Ginásio de Esportes da Secretaria de Estado da Educação, para receber o cartão magnético do Programa Bolsa-Alimentação, do Ministério da Saúde. Na porta de acesso ao ginásio, algumas chegaram a passar mal e uma elevada quantidade de mães estavam com seus filhos pequenos, a maioria bebês que corriam riscos em meio à multidão e ao calor, junto com muitas gestantes. Apenas guardas municipais tentavam conter o avanço das mulheres, impacientes por estarem há vários meses esperando o dinheiro do Bolsa-Alimentação, equivalente a R$ 15 mensais, podendo chegar a R$ 45, de acordo com o número de filhos, por família. A distribuição dos cartões é feita pela Caixa Econômica Federal e Secretaria Municipal de Saúde. Segundo informações da assistente social, Sandraney Freitas dos Santos, da secretaria, os problemas na entrega dos cartões decorrem do acúmulo de solicitações que ainda não foram liberadas. ?Aqui se concentra cerca de 10 mil pessoas, mas nós só recebemos dois mil cartões, nesta terceira remessa do ano?, explicou Sandraney. Uma nova remessa está prevista para ser entregue em dezembro. O programa beneficia gestantes, nutrizes e crianças de seis meses a seis anos e 11 meses. Muitas das pessoas que aguardam o recurso não serão contempladas por haver critérios de seleção que passam pela renda per capita dos beneficiários. Maria Leite da Silva, residente no Denilma Bulhões, tem 12 filhos, desempregada junto com o marido que foi demitido da antiga Cobel. ?Eu não tenho dinheiro para comprar o remédio do meu filho e ele desmaia diariamente?, disse Maria. Ela espera o dinheiro do Bolsa-Alimentação há oito meses. Marlene dos Santos mora no Virgem dos Pobres com os três filhos e estava na fila, com esperança de receber o cartão e sacar o dinheiro. ?Sou favelada, não tenho emprego e preciso do dinheiro para amenizar meus problemas?, comentou a mulher. Grávida e com filhos pequenos, Laudicéia da Silva espera o benefício para matar um pouco da fome. ?Necessito comprar alguma comida, estamos todos com fome?, afirmou.

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