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Nº 5750
Cidades

Queima da cana causa doen�as respirat�rias

FÁTIMA ALMEIDA A fuligem gerada pela queima da palha da cana nos tabuleiros que divisam Maceió volta a causar transtornos aos moradores, sobretudo nas regiões do Benedito Bentes, João Sampaio, Salvador Lira, Graciliano Ramos e adjacências. Trazida pe

Por | Edição do dia 09/11/2002 - Matéria atualizada em 09/11/2002 às 00h00

FÁTIMA ALMEIDA A fuligem gerada pela queima da palha da cana nos tabuleiros que divisam Maceió volta a causar transtornos aos moradores, sobretudo nas regiões do Benedito Bentes, João Sampaio, Salvador Lira, Graciliano Ramos e adjacências. Trazida pelos ventos fortes característicos desta época do ano, ela invade as casas sujando móveis, pisos, veículos e toda a superfície onde fica acumulada. E o que é pior: provocando doenças respiratórias em adultos e crianças. “É um aperreio. A fumaça e a fuligem sufocam a gente provocando problemas respiratórios. As crianças tossem muito e eu vivo espirrando o tempo todo”, reclama a dona de casa Maria de Fátima Santos Vilela. Ela mora com a mãe e três filhos pequenos no Loteamento Nascente do Sol, proximidades do Benedito Bentes. O jornalista José Carlos Cardoso, que reside no Conjunto Graciliano Ramos, também é vítima do problema. De tanto respirar o ar poluído pelo resíduo, ele adquiriu uma rinite alérgica. Se filho menor também já apresenta problemas respiratórios. Crime ambiental A queima da palha da cana-de-açucar é crime, enquadrado no art. 54 da Lei 9.605/98 (a Lei dos Crimes Ambientais). Com base nisso o Ministério Público (MP) vem trabalhando a questão há cerca de quatro anos, segundo informa o promotor Jorge Dórea. Junto com outras entidades que formam o Comitê de Queimadas (Ibama, IMA, Fetag e setor sucroalcooleiro), foi estabelecido um calendário de redução das queimadas, a vigorar a partir da próxima safra. “A idéia é promover uma redução gradativa de 25% das áreas queimadas a cada 5 anos, de forma a extinguir essa prática em 20 anos”, explica o promotor. A proposta foi discutida e aprovada pelo comitê, segundo Sérgio Dórea, depois de muitas reuniões até se chegar ao acordo. “É uma discussão que passa necessariamente pelos aspectos ambiental, econômico e social, e não poderia, de forma alguma, ser unilateral”, esclarece. A solução encontrada para combater os efeitos da queimada prevê a substituição gradual da mesma, pela utilização das máquinas que cortam a cana crua. Além disso as queimadas não podem ser realizadas a menos de 1 km de distância de qualquer aglomerado urbano. “Onde houver 5 ou 6 casas já é considerado um aglomerado. Também não se pode queimar, às margens de rodovias e embaixo de redes elétricas”, esclarece Dórea. Na sua opinião, já começa a se formar uma consciência dos danos ambientais causados pelas queimadas, como a poluição da atmosfera, a devastação da fauna e da flora e a danificação do solo. Ele fala também da existência de dados científicos que mostram os prejuízos das queimadas à saúde humana.

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