Cidades
S� � contra o Bolsa Fam�lia quem n�o precisa
A dona de casa Ana Patrícia de Oliveira não consegue entender como alguém pode falar um boato sobre o fim do Bolsa Família. Com três filhos, duas bolsas, um ex-marido e nenhuma pensão, ela cata latinhas e lixo reciclado, em geral das 5h às 12h, todos os dias, para melhorar a renda. Só pode sair para trabalhar porque conseguiu matricular os dois mais velhos, de 8 e 5 anos, no Programa Segundo Tempo, com horário integral na escola. A mais nova, de 4 meses, deixa com a irmã de 16 anos. À tarde, Patrícia arruma a casa, cozinha, sai para comprar o que está faltando e, quando dá, faz bico como diarista. Juntando tudo, no fim do mês dá para conseguir R$ 230, R$ 240. Graças à ajuda da madrinha, ela se livrou de pagar aluguel, porque recebeu um barraco na grota Novo Horizonte, em Cruz das Almas. Com o cartão do Bolsa Família na mão, ela agora enfrenta o suplício do cadastramento para incluir a filha caçula. Há dois meses, ela saiu de madrugada do barraco, com a recém-nascida no colo, para enfrentar a fila do Cadastro Único, no Poço. ?Quando cheguei já estava cheio, muita gente dorme lá?. Depois de muita espera e irritação, próximo ao meio-dia, ela não aguentou mais o sofrimento que a bebê passava e foi embora. Na semana passada voltou, sofreu tudo de novo e mais um pouco para aumentar o benefício. ?Se o Bolsa Família deixasse de existir?! Quem é que pode pensar num negócio desse, é muita maldade, ia ser ruim demais, a vida do pobre já é difícil, ia ficar complicado demais?.