Cidades
Fam�lias sem apoio para localizar desaparecidos
FÁBIA ASSUMPÇÃO Diariamente, dezenas de crianças e jovens desaparecem em Alagoas deixando em desespero seus pais, parentes e irmãos que, muitas vezes, não encontram um ponto de apoio para tentar localizá-los. No Estado não existe nenhuma instituição governamental ou não governamental que trabalhe para dar auxílio às famílias de pessoas desaparecidas. O coordenador do Conselho Tutelar de Maceió, Leonardo Araújo, explicou que são poucos os casos de parentes que reclamam o desaparecimento de crianças e adolescentes no órgão. ?A busca de crianças desaparecidas, em verdade, não é uma atribuição do Conselho Tutelar?, justifica Leonardo. Mesmo assim, o órgão procura auxiliar as famílias que buscam o Conselho para localizar crianças desaparecidas. ?As reclamações sobre crianças e adolescentes não são muito freqüentes no Conselho, mas quando isso acontece procuramos espaços nos programas de rádio, televisão e jornais, levando fotografia da pessoa desaparecida para tentar localizá-los?, observa Leonardo. Segundo ele, é mais comum às pessoas procurarem a Delegacia da Criança e do Adolescente para denunciar o desaparecimento. Na maior parte dos casos, segundo Leonardo, as crianças que desaparecem fugiram para casa de parentes ou estão perambulando pelas ruas. Essa atitude, muitas vezes, é tomada em função das péssimas condições de vida da família e até pela violência vivida em casa. Um dos primeiros passos dado pelo setor governamental para acelerar a identificação de pessoas desaparecidas e que já podem estar mortas foi a implantação do Banco de Dados de DNA, através de uma parceria entre a Ouvidoria Geral do Estado, Instituto Médico Legal (IML) e o Laboratório de Genética da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Segundo o ouvidor geral do Estado, Geraldo Majella, no último registro do IML havia 31 nomes de pessoas desaparecidas no Estado. Porém, até o momento, apenas duas famílias de desaparecidos compareceram ao IML para se habilitar à coleta de sangue para realização de exame de DNA, para identificação de parentes desaparecidos. Majella ressalta a importância do Banco, que vai possibilitar a identificação e vai ainda auxiliar a Polícia Civil na elucidação de crimes. As ossadas encontradas em um cemitério clandestino em Marechal Deodoro, há cerca de dois meses, estão tendo o código genético identificado para colocação no Banco. Se o órgão estivesse funcionando há pelo menos cinco anos, teria sido possível identificar as ossadas encontradas em cemitério clandestino, durante as investigações sobre os crimes da chamada ?Gangue Fardada?. Com o Banco de Dados e a identificação dos desaparecidos, Majella afirma que também será possível fazer um perfil econômico e social das pessoas que são vítimas desse tipo de violência. A segunda etapa do trabalho do Banco de Dados de DNA será conscientizar a sociedade em relação aos crimes de estupro, contra mulheres, crianças e adolescentes, cujos autores poderão ser identificados e responsabilizados por esse tipo de crime. ?Para isso, será preciso treinar o pessoal da área de saúde, tanto da rede privada como pública, conscientizar a polícia técnica e os órgãos que trabalham com crianças e adolescentes sobre os procedimentos que precisam ser adotados para identificação desses criminosos através do exame de DNA?.