Cidades
Polui��o faz pescado desaparecer da Munda�
FÁBIA ASSUMPÇÃO Viver exclusivamente da pesca está cada dia mais difícil para milhares de pessoas que sobrevivem dessa atividade às margens das lagoas Mundaú e Manguaba. As agressões ambientais sofridas pelo complexo lagunar, intensificadas nos últimos dez anos, provocou a escassez do pescado. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham como principal meio de sobrevivência a atividade da pesca nas lagoas. Atualmente, a maioria delas tem buscado outros meios para garantir alimento à mesa e outras necessidades básicas de suas famílias. Até mesmo o sururu está se tornando escasso nas lagoas. Por causa desse problema, o quilo do molusco mais tradicional da culinária alagoana está sendo vendido por R$ 5, quando na época de abundância não ultrapassava a R$ 2. O pescador José Agostinho Filho, que mora no Pontal da Barra, confirma que viver da pesca, principalmente para aqueles que moram às margens das Lagoas Mundaú e Manguaba, não é mais possível. Pescadores Os pescadores saem logo cedo com suas canoas em busca de peixe e sempre acabam voltando de mãos vazias. ?Além de os peixes serem poucos, a qualidade do pescado caiu por causa da poluição da lagoa?, constata Agostinho, que é tesoureiro da Federação dos Pescadores. Ele admite que a maioria dos pescadores, hoje, desenvolve outras atividades. ?Muitos são guardas municipais, policiais ou trabalham no comércio, porque não dá mais para viver da pesca?. Depois de mais de 40 anos trabalhando com pesca, Agostinho luta para conseguir sua aposentadoria. Ele mesmo trabalhou em diversos lugares, até como vigia noturno, para garantir o sustento da família. Se há alguns anos, viver da pesca já era difícil, Agostinho afirma que agora está muito pior. ?Até mesmo o siri está com gosto ruim?, preocupa-se o pescador, que perdeu a esperança de ver a lagoa recuperada. ?Só o Senhor Deus, nosso criador, pode dar jeito a essa lagoa?. Regiões Em algumas regiões do Estado, como é o caso da Lagoa de Jequiá, Agostinho salienta que ainda é possível encontrar uma boa quantidade de peixes. Nas lagoas Mundaú e Manguaba, quando se consegue pesca algumas espécies, como tainhas e curimãs, isso é motivo para festa. Na maior parte do tempo, as balanças de peixe às margens das lagoas ficam vazias. ?A maior parte do peixe vendido hoje em Maceió é do mar, que vem de outros Estados?, constata Agostinho. Ele espera ansioso pela liberação do dinheiro da aposentadoria, já aprovada pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), depois de três anos de luta. Agostinho reclama que mesmo depois de tantos anos de trabalho, o pescador também é discriminado na hora da aposentadoria. Para ter direito a esse benefício, o pescador tem que ter mais de 60 anos e pelo menos nove anos de contribuição à Previdência. ?Só que tem muito pescador que desiste de pagar essa contribuição por causa das dificuldades que enfrenta quando vai pedir a aposentadoria?, lamenta Agostinho. ?Tem muita gente que morre e a aposentadoria não sai?.