Cidades
Macei� vai dispor de cremat�rio em dois anos
Maceió deverá ser a terceira capital do Nordeste a dispor de um crematório como opção de serviço funerário e de substituição aos cemitérios convencionais, num período de dois anos. Os altíssimos investimentos de 2 milhões de dólares deverão ser feitos pelo grupo empresarial que hoje dirige o Cemitério Parque das Flores, há 27 anos no mercado local. Segundo informações do diretor comercial do grupo, Sérgio Craveiro, há 5 anos existiam apenas três crematórios em todo o País, hoje são 23 e o crescimento deve-se às vantagens do serviço, entre as quais a preservação ambiental. Numa pesquisa de mercado realizada pelos empresários, 48% das pessoas ouvidas na capital disseram que utilizariam um crematório, enquanto 50% responderam que alguém da família gostaria de utilizar o serviço, significando tratar-se de uma importante demanda. A alternativa porém, sofre influências culturais relacionadas à morte. ?A exemplo do ato de doar órgãos, expressado por várias pessoas em vida, a família é quem decide pela doação ou não?, comparou Sérgio Craveiro para expressar as dificuldades na mudança de costumes entre um sepultamento tradicional e o ato da cremação. Pelo elevado investimento que requer tecnologia totalmente importada dos Estados Unidos e em função de todo o processo cultural, o empresário afirma que o investimento só começa a dar um retorno depois de 20 anos. ?Não há fabricante nacional, linha de crédito, nem financiamento para esse tipo de investimento, temos que ter uma visão corporativa através do Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil, que compra em forma de consórcios e oferece assistência técnica ao associado?, informou Sérgio. Saída Essa saída tem como objetivo pagar a conta enquanto o empreendimento não estiver cobrindo seus custos. Segundo Sérgio Craveiro, para se ter idéia das dificuldades, em Fortaleza, se faz de uma a duas cremações ao mês e em Salvador são cerca de cinco ao mês, incluindo as que vêm de outros Estados nordestinos. O médico Úlpio Miranda foi recentemente cremado naquela cidade. Outra pesquisa de mercado feita pelo setor indica que 32% dos entrevistados acham que podem pagar de R$ 501 a R$ 1.000 por um serviço funerário e 10% pagaria de R$ 1.500 a R$ 2.000. Isso não inclui os custos com o espaço físico nos cemitérios, sejam públicos ou privado, o que encarece o serviço. De acordo com Sérgio Craveiro, o ato em si de cremação fica em torno de R$ 600 a R$ 700, sem a inclusão da urna funerária e outras despesas com o velório, além da urna para a colocação das cinzas no columbário, uma espécie de estante de concreto que agrega urna. O crematório envolve todo o complexo, do forno automatizado ao columbário. Em outros Estados, esses cemitérios modernos são locais com música ambiente, bibliotecas, condicionadores de ar. ?Algumas urnas são verdadeiras obras de arte, com detalhes em ouro que realçam este ambiente?, disse o empresário. Em Maceió, o processo de combustão para o acionamento do forno deverá utilizar gás natural, em função de a produção local viabilizar um pouco mais o investimento, pois a outra opção seria a energia elétrica. O processo de cremação leva de três a quatro horas, mas as cinzas são entregues à família num período de 48 a 72 horas para serem levadas ao columbário, ou para serem jogadas junto a uma árvore ou no mar, a depender de decisões, crenças familiares e pessoais. ?O processo é totalmente natural, sem a emissão de gases tóxicos ou qualquer tipo de poluição, onde há um censor para garantir essa segurança?, explicou Sérgio Craveiro. A idéia do grupo empresarial é oferecer dois tipos de serviços: a cremação para a demanda de mercado existente e ao município, uma vez que os cemitérios estão superlotados. A cada três anos, os corpos são exumados, os ossos são retirados e colocados em ossários, mas esses também já estão cheios. ?O crematório resolveria o problema por cremar esses ossos e devolver as cinzas às famílias, gerando mais espaços nos cemitérios públicos?, completou Sérgio, que defende crematórios também para animais por uma necessidade de evitar a contaminação ambiental ou que sejam jogados nos lixões.