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O novo “movimento feminista”

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O sol na cabeça, o cabo da enxada e o chão esturricado do Sertão de Inhapi sempre fizeram Quitéria Ferreira da Silva, 41 anos, sofrer calada. Presa ao destino numa das áreas mais pobres (e machistas) do país, era obrigada a suportar as agressões e vontades do marido. Até o dia em que levou um chute no rosto e resolveu se rebelar. Como um juiz de futebol, levantou um cartão amarelo de advertência: o cartão do Bolsa Família. Quitéria mandou o agressor para fora de casa e ficou separada por cinco meses, algo impensável antes de começar a receber o dinheiro para alimentar os três filhos. ?Foram cinco meses de sossego, momentos felizes em que me senti muito melhor?, recorda a sertaneja, com sorriso triste. Até hoje diz que só aceitou o companheiro de volta por causa dos apelos das crianças. Mas agora é outra mulher. Se vier nova falta grave, puxa o segundo cartão amarelo, equivalente a uma expulsão definitiva. O boato sobre o fim do Bolsa Família provocou um levante popular e muitos debates sobre o maior programa de transferência de renda do mundo. Além do impacto financeiro na vida de mais de 54 milhões de brasileiros situados abaixo da linha da pobreza (menos de R$ 140 per capita), o benefício mensal que gira em torno de R$ 155 está mudando costumes, tradições e provoca uma revolução sociocultural. Tudo isso porque os cartões são entregues a mães que, na grande maioria, nunca tiveram uma renda fixa na vida.

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