Cidades
Mulheres priorizam bem-estar da fam�lia
A pesquisa da antropóloga da Universidade de Campinas, Walquíria Leão Rêgo, aponta que as beneficiárias do programa experimentam certo grau de liberdade e autonomia porque podem escolher a forma de empregar o dinheiro. Também têm ganhos de dignidade perante os demais membros da comunidade porque se tornam confiáveis: ?O cartão do Bolsa Família é a única coisa que me deu crédito na vida, antes não tinha nada?, diz uma das entrevistadas. ?O estudo deita por terra certos preconceitos, como aquele segundo o qual não se deve dar dinheiro aos pobres, que não saberiam como empregá-lo. As mulheres ouvidas na pesquisa demonstram o contrário: em geral elas gastam prioritariamente com alimentos, em especial para as crianças. Uma delas informa que pôde comprar, finalmente, um inalador para um filho que sofre de crises asmáticas?, descreve um trecho da sinopse do livro. Para a antropóloga, o estudo também desafia outro preconceito: o de que as mulheres que recebem o Bolsa Família ficam acomodadas. ?As mulheres ouvidas almejam muito mais do que uma renda mínima proveniente de um programa governamental: todas as entrevistadas afirmaram que gostariam mesmo é de ter trabalho regular e carteira assinada?, constatou a pesquisadora.