Cidades
NASCIMENTO DE FILHOS FAZ DETENTAS SE ARREPENDEREM DE DELITOS
O reconhecido pediatra alagoano atendeu à menina a pedido da superintendência do sistema prisional, diante da gravidade de seu estado de saúde. Hoje, a pequena, que vive há oito meses no Presídio Santa Luzia, está recuperada e bem nutrida. ?Meu sofrimento agora é pensar que vou me separar dela?, afirma A. Ela já tem outros três filhos. Sua história na marginalidade começa ao 19 anos. Retornando de São Paulo, onde havia terminado o casamento, para o município alagoano de Anadia, A. conheceu o pai de sua filha. O homem era usuário de drogas, e com ele experimentou maconha, cocaína e crack. Depois, começou a traficar. ?Eu ganhava muito dinheiro, tinha uma vida sem dificuldades?, revela. Até que o ?sonho? acabou e A. foi presa e condenada a sete anos em regime fechado. Ela diz que cometeu erros e se arrepende muito de todos eles, principalmente após o nascimento da filha e diante dos problemas de saúde da pequena. Por isso, garante que quando sair da prisão não voltará a se envolver com o crime. As lágrimas enchem os olhos de J. quando fala no filho de três anos de idade, e no que carrega no ventre. Aguardando decisão da Justiça, acusada de assalto e formação de quadrilha, ela conta que está no tráfico desde os 14 anos. Usada como ?avião? por um traficante, a jovem revela que ?ganhava muito dinheiro?. Havia momentos em que chegava a ganhar R$ 300 por dia vendendo crack. Até que, aos 17 anos, resolveu experimentar a droga. O vício lhe trouxe sérios prejuízos. Dependente, ela vendia para consumir, até que já não conseguia cumprir sua ?função?. Para ter a droga, passou a assaltar. Além do risco de ser presa, J. quase foi morta pelo traficante da área onde morava. ?Ele disse que eu estava sujando a parada?, conta ela, acrescentando que não morreu porque sua mãe implorou por sua vida.