Cidades
Pacientes precisam madrugar na fila
Já era hora do almoço na terça-feira (25) e o agricultor José Ferreira de Lima, 53, aguardava com paciência, nos corredores do PAM Salgadinho, o atendimento médico previsto para as 16 horas. Ele viajou mais de duas horas, da zona rural de Igaci até Maceió, para se consultar com um cirurgião plástico. Em uma sacola, uma coleção de exames e receitas de medicamentos. No corpo, o peso da vida de quem trabalhou desde os 7 anos como agricultor: desvio na coluna, luxação no ombro, marcas de queimaduras provocadas por um acidente e o problema mais recente, um cisto nas costas. Na carteira, documentos pessoais e dinheiro suficiente para um só lanche, já que desde 2003 o INSS vem negando o pagamento de benefício. ?Quem não tem como pagar por tratamento médico vive para sofrer. O serviço público é demorado. Por isso é preciso ter paciência. Aqui é só mais uma etapa, já passei muitas outras horas em corredores de posto de saúde e hospital. Vivo há mais de 10 anos com problemas que me impedem de trabalhar e há três para fazer a cirurgia das costas?, conta ele, animado com o agendamento do ?médico raro, que é difícil de conseguir?. A noite nem havia chegado quando a dona de casa Maria Madalena Gambira dos Santos, 53, pegou o ônibus na Chã de Bebedouro em direção ao PAM Salgadinho. Ao chegar no segundo maior posto de saúde da América Latina, antes das 18 horas, oito pessoas já guardavam vaga na fila de atendimento. Em mãos, um casaco para passar a madrugada, e uma sacola plástica com guias médicas. ?Vim na terça-feira (25) à noite para pegar ficha de atendimento e marcar exames para a família. Consegui o dentista para extração do dente da minha irmã, que é diabética e tem pressão alta. Já o exame mais específico para a cabeça do meu irmão estou tentando há mais de dois meses?, relata Madalena, ao mostrar a guia do exame pendente. Acostumada a passar as noites e madrugadas nas filas dos postos de saúde da capital alagoana, Maria Madalena diz que algumas consultas e exames para mulheres são sempre mais difíceis. ?Os dias que antecedem a marcação desses exames são uma loucura. Tem gente que chega de quatro horas da tarde do dia anterior para garantir a ficha. Fazemos isso porque não é em todo posto de saúde que tem o exame e o médico que necessitamos. Falam muito dessa marcação do Cora, mas nem sempre ele funciona. Tanto que muita gente prefere vir pessoalmente até o PAM. WC