Cidades
PRECARIEDADE AGRAVA TRANSTORNOS
Faz tanto tempo que o pedreiro Genival de Andrade, 31 anos, subiu em um ônibus que ele nem sabe o valor da passagem. ?Quanto é mesmo??, pergunta ele. Natural de Joaquim Gomes, ele veio morar com a família em Maceió quando tinha 11 anos. Aprendeu a arte de trabalhar com a massa e o tijolo. Seus serviços são requisitados em obras de todas as regiões de Maceió. ?Ando tudo de bicicleta. É o meu transporte?, diz com orgulho, ao exibir a sua Barra Circular da Monark, pintada de preto e equipada com uma buzina que faz sucesso no trânsito. Vou para a Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca, Tabuleiro, Eustáquio Gomes?, diz Genivaldo, que na última quinta-feira finalizava um serviço em uma residência na Vila Brejal, próximo ao Mercado da Produção. Sua opção pelo transporte não foi apenas devido ao valor da passagem, que, ao fim do mês, pesa no orçamento, mas também pela péssima qualidade do transporte público. ?Fui demitido várias vezes de serviços por chegar atrasado. Às vezes passava mais de uma hora no ponto esperando o ônibus, que nunca vinha. Com a minha bicicleta não acontece isso, sempre chego na hora?, orgulha-se. Genivaldo já foi para a ponta do lápis e calculou que gastaria de ônibus pouco mais de R$ 100 por mês. ?Ganho R$ 600. Se ainda for tirar R$ 100, o dinheiro não vai dar para pagar as despesas?, disse.