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MILHARES N�O T�M ACESSO A �NIBUS

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Foi a causa do transporte público e a insatisfação contra o aumento da tarifa dos ônibus o estopim para a explosão da maior onda de protestos populares da história do Brasil. A briga pelo passe livre e o direito de andar de graça de metrô, trem e ônibus abriu o caminho para as demais reivindicações que oxigenaram as passeatas País afora. Em Maceió, os empresário recuaram e mantiveram o valor da passagem. Mesmo assim, milhares de pessoas não têm condições de pagar os atuais R$ 2,30 para se locomover na cidade. Muitos não lembram o dia em que subiriam em um coletivo urbano. Seja por não ter dinheiro ou pela falta de paciência de ficar mofando em um ponto, muita gente deixou de andar de ônibus. A pé ou de bicicleta, cortando caminho e buscando rotas alternativas, moradores de grotas, de bairros distantes e de periferias longínquas se viram como podem para chegar ao trabalho, cumprir compromissos e tocar a vida. Para chegar ao ponto de ônibus mais próximo, a empregada doméstica Ana Maria da Silva caminha durante 20 minutos. Ela é moradora do Vale do Reginaldo. Tem 47 anos, três filhos e é separada do marido. A parada de ônibus da Praça Bonfim, no Poço, é apenas um marco do trajeto que ela faz a pé, todos os dias, quando se desloca de sua casa para o trabalho, uma residência de ?família?, no bairro da Ponta Verde. De lá, ela segue pelo ?oitão? da igreja do Bonfim, caminha margeando o Riacho do Sapo, atravessa a Avenida Comendador Leão, entra na esquina do Senai e percorre toda a extensão da comprida Rua Pedro Américo até chegar ao seu destino. ?A casa é lá perto da praia?, diz a doméstica. Ao fim da jornada de trabalho, depois de lavar, passar e cozinhar, cansada da labuta, ela faz o mesmo percurso.

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