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“O PASSE LIVRE � O DESEJO DE TODOS N�S”

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Assim como Lázaro foi ressuscitado por Jesus, o Lázaro do Vale do Reginaldo também renasceu para o mundo. Era ?perdido?, como ele mesmo diz. Bebia para se acabar, usava drogas e perturbava muito. Não tem vergonha de contar. Pelo contrário, faz questão de alardear a sua mudança. Há cinco anos está limpo, desde quando entrou para uma Igreja Evangélica. É um homem responsável e trabalhador. Lázaro da Silva Sampaio, 35 anos, batalhou muito para mudar e ser melhor. Mas fez tudo sozinho. Infelizmente o poder público não lhe estendeu e nem lhe estende a mão. Mora numa encosta, em moradia precária. Na frente passa um córrego que, em dias de chuva forte, transforma-se numa ameaça de morte. A vida de Lázaro não é fácil. Ele trabalha como impermeabilizador, profissão na qual se especializou. Recebe um salário mínimo por mês. É um dos trabalhadores brasileiros sem transporte. Normalmente vai ao trabalho a pé, pois o dinheiro não dá para pagar diariamente as passagens de ida e volta. Se tirar do salário o dinheiro para pagar o ônibus, como nós vamos ter dinheiro para a manutenção da casa??, questiona Lázaro. Há 15 dias, conseguiu emprestada uma bicicleta. ?Um irmão da igreja me deixou ficar usando sem cobrar nada?, diz, enquanto sobe a ladeira que dá acesso à sua modesta residência. De bicicleta, ele leva 20 minutos para chegar ao trabalho, no bairro da Jatiúca. Sem a bike, ele precisa se acordar pouco antes das 6h, tomar um banho, tomar um café e partir às 6h10. São cinquenta minutos de caminhada para chegar às 7h, horário em que pega no batente. O roteiro, só os que moram no Vale do Reginaldo e regiões circunvizinhas conhecem. ?Pego a terceira ponte, subo o G.E., chego na Rua do Arame, atravesso a principal do Jacintinho (Cel. Paranhos), desço pela Sococo, atravesso o Bompreço, corto por dentro da Jatiúca, até chegar no trabalho?, diz. Sem transporte, sem moradia digna e outras necessidades básicas, Lázaro, assim como vários trabalhadores que sofrem na pele a ausência de políticas públicas, vem acompanhando pela televisão as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e torce para que uma das reivindicações transforme-se em realidade. ?O passe livre é o desejo de todos nós trabalhadores que não temos condições de pagar transporte. A gente vê aí, o povo gastando bilhões com estádios para a Copa do Mundo e a gente precisando de saúde e de educação?, diz Lázaro. LM .?

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