Cidades
Acampamento de sem-teto esvazia durante a semana
Bandeiras tremulando e barracos vazios. Pouco mais de um mês após invadirem um terreno de 50 hectares pertencente à Construtora Lima Araújo, entre o Jardim Petrópolis e a Santa Lúcia, muita gente deixou de marcar presença nas tendas de lona. Em nada o movimento atual lembra a multidão de pouco mais de duas mil pessoas que, no dia 27 de maio, não parava de circular na área, para demarcá-la. Hoje, segundo dados do movimento social Via do Trabalho, nove mil pessoas são cadastradas. Mas, na última sexta-feira, a reportagem da Gazeta, andou muito para ouvir quem ainda sonha em ter um lote para construir. Movimento maior, somente no barraco-sede, onde ainda há pessoas comparecendo para levar documentos. O principal líder das famílias, Marcos Antônio da Silva, o ?Marrom?, não estava. Ainda assim, cerca de 15 pessoas cercavam uma líder, que não se identificou. ?Todos aqui são do Via do Trabalho, mas ninguém está autorizado a falar nada e as lideranças estão viajando, tanto o Marrom quanto a Ivone?, disse a mulher. Indagada sobre onde estavam milhares de pessoas do acampamento, ela titubeou: ?Eu vou dizer o quê? Mas espere que elas vão chegar?, completou. Depois, retrucou: ?Hoje é dia de semana e as pessoas trabalham. Hoje é dia de semana?, concluiu. Pouco antes de deixarmos o local, ela acabou revelando que aos sábados e domingos e nos ?dias de reunião? todos estariam. Em meio a essa revelação, uma outra ocupante da área, também sem se identificar, confirmou que havia algumas pessoas morando no lugar. ?Para mim, quem precisa, deveria ficar? comentou. A Gazeta também quis saber se novos cadastros estavam sendo feitos, mas a liderança negou. Entretanto, uma das mulheres que estavam na tenda não conseguiu esconder a tempo as cópias de documentos, confirmando a impressão de que novas pessoas ainda estão procurando ?entrar na luta?. No início da semana, o próprio Marrom havia confirmado à reportagem que não param de chegar pessoas ao local. Naquela oportunidade, pouco mais de 400 pessoas interditaram, por mais de quatro horas, os dois sentidos da Avenida Durval de Góes Monteiro.