Cidades
Pessoas se revezam nos barracos na esperan�a de sair do aluguel
Das poucas pessoas que a Gazeta encontrou na última semana, estava o desempregado José Martiniano, 52 anos. Quando a reportagem se aproximou, fazia pouco tempo que ele havia chegado ao local. O homem confirmou que ainda mora de aluguel e que a situação está complicada porque, após perder o emprego numa beneficiadora de coco, tem vivido de biscate ? serviços eventuais. ?Aceitei o desafio porque o aluguel garante a moradia, mas a casa não é minha. A gente paga e já fica devendo. É um negócio que nunca termina. Por isso, vou continuar?, confirmou José. Seu barraco, erguido para demarcar o local, fica à margem da principal via de acesso ao acampamento. Sem ninguém do lado para conversar, José confirmou que ficaria apenas por algumas horas. ?Vou fazer como das outras vezes: é ficar um pouco mais e depois ir embora. Mas, amanhã, estarei de volta?, completou José, demonstrando dificuldades em identificar qual movimento o cadastrou no local. Mais adiante, a pelo menos 400 metros, estava a balconista desempregada Márcia da Silva, 25 anos. Ela conta que todos os dias, por orientação do movimento, não deixa de ficar algumas horas no local. ?O pessoal do movimento orienta que fique sempre alguém aqui, mas tem pessoas que estão desanimando. Temos sempre que estar aqui?, revelou Márcia. Ela confirmou que o vazio no local tem se repetido durante todos os dias da semana. Casada, mas sem filhos, enquanto o marido trabalha ela se dispõe a ficar só no local. ?Como o nosso barraco é longe, às vezes prefiro ficar próximo ao pessoal do outro lado. Quanto a mim, estou vindo porque ainda tenho fé em conseguir minha casa?, afirmou Márcia, que também mora de aluguel.