Cidades
Xing� I e II: de refer�ncia no ensino ao sucateamento
Piranhas ? A Escola de Xingó II foi fundada em 1990 pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), para abrigar os filhos dos trabalhadores da usina e também estudantes da região. Pelo período em que a companhia mandou recursos e compartilhou a administração dela e da Unidade Escolar de Xingó I (Unex I) eram referência em todo Alto Sertão. Todos os dias, ônibus com estudantes saíam de Delmiro Gouveia, Água Branca, Pariconha e Olho d?Água do Casado, para ter aulas com professores que também lecionavam em faculdades. Pouco mais de 20 anos depois, a situação é de completo abandono e continuam estudando no local, os estudantes que não têm condições financeiras de pagar uma escola particular, ou de buscar um ensino melhor em uma das cidades vizinhas. A Unex II possui uma grande área externa rodeada por muros, que com o passar dos anos foram violados em vários pontos. Há mato por todo lugar, brotando até mesmo do cimento de uma quadra abandonada. ?Com o muro cheio de buracos, é perigoso ficar do lado de fora. À noite, tem jovens que vem para essa área aqui fazer sexo e houve casos de alunos serem ameaçados com armas e até mesmo compra de drogas pelas janelas das salas. Por medida de segurança, todas as janelas que dão para a área externa foram tapadas, colocamos uma grade no pátio e em uma área dos fundos, que já foi invadida por vândalos?, declarou Ribamar Paiva. Devido às medidas, estudantes reclamam. ?Isso parece mais uma prisão?, fala um deles, enquanto observa a reportagem fotografando a sala sem janelas. ?No verão, a gente passa muito calor, porque quase nenhuma das salas tem ventilador, e nas que têm, eles não estão funcionando. Quando chove, a gente fica arrastando as bancas procurando um lugar que não fique embaixo de uma pingueira, e às vezes a gente acaba indo para outra sala porque fica tudo alagado?, afirma um estudante.