Cidades
Pra�as viram ponto de consumo de drogas
?A praça! A praça é do povo!? , declamou Castro Alves no poema O povo ao poder, de 1866. De lá até hoje, em Maceió, estes espaços urbanos e de convivência foram se deteriorando. Seja pelo vandalismo, falta de segurança ou pelo esquecimento de alguns gestores, aos poucos algumas praças foram agonizando e servindo como ponto de consumo e venda de drogas. Ao todo são 230 delas, conforme números repassados pela Secretaria de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). Há casos em que, por causa da dimensão, até circos são instalados nos espaços. Outras, conforme a tradição, abrigam parques e feiras, durante curtas temporadas. A Praça da Faculdade, no Prado, é um desses locais. Situada em uma área privilegiada, se tornou depósito de entulho e ponto de lixo da comunidade. Com uma iluminação irregular, nem sempre está às claras, servindo a dependentes químicos e transeuntes dispostos a transformá-la em banheiro. Por causa do aspecto de abandono, em nada lembra o ambiente festivo dos anos 70, quando das apresentações de Guerreiro, Pastoril, Fandango e outros grupos. Se nela, que está numa área central da cidade, o quadro é esse, nos bairros mais distantes a situação só piora. Em Cruz das Almas, a Praça Tenente Madalena, preserva uma quadra de esportes de cimento. ?Mas a gente que mora por aqui não fica mais nas portas, nem na praça, porque o problema é o pessoal da droga. Aí já teve até morte?, descreveu uma moradora do entorno. Enquanto falava com a reportagem, uma viatura da Polícia Militar fez a tradicional ronda. Indagada sobre a presença dos policiais, ela completou: ?É só eles passarem que o pessoal encosta?, afirmou ela, sem querer se identificar. A Gazeta percorreu dezenas de praças em diferentes pontos da cidade. Na Praça Visconde de Sinimbu e na Deodoro, os problemas vão desde a iluminação ao piso irregular. Na Sinimbu, uma parte está ocupada por barracas e carros. Do outro lado, as raízes sobressaltam no solo. Mas há pelo menos alguns bancos e escorregadores do tempo do prefeito Sandoval Caju (1961).