Cidades
Sem-terra ocupam ag�ncias do BB
Mais de dois mil trabalhadores rurais ligados a quatro movimentos sociais impediram, ontem, o acesso de milhares de correntistas a agências do Banco do Brasil (BB) em Maceió, Delmiro Gouveia, Batalha, Novo Lino, União dos Palmares, São Luís do Quitunde, Atalaia e Piranhas. Objetivo dos manifestantes: conseguir o desbloqueio de R$ 60 milhões depositados no banco oficial e destinados ao custeio de obras em assentamentos da reforma agrária, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ?Mais de mil famílias alagoanas foram prejudicadas pelo confisco do dinheiro. O governo federal não nos deu quaisquer explicações?, criticou o líder Josival Oliveira, do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). Para cobrar do governo a liberação do dinheiro, os agricultores prejudicaram milhares de correntistas, dentre os quais o bacharel em Direito Marcel Melo, que vive em Batalha, no Sertão de Alagoas. ?Fui à agência sacar dinheiro. Um dos manifestantes, utilizando-se de linguajar cheio de gíria, disse-me que não poderia fazê-lo. Fui barrado e fiquei só observando a movimentação?, comentou. Servidores das agências ocupadas não foram privados do direito de ir e vir, desde que estivessem com crachás de identificação. ?Só entrava e saía do prédio quem tivesse o documento?, disse Cristiano Correia, da Agência Central, na Rua do Livramento, Centro de Maceió. Os manifestantes encerram a ocupação, considerada pacífica, por volta das 15h30, momento em que o governo federal dava garantia de liberação dos R$ 60 milhões para continuidade de obras em 12 assentamentos rurais. ?Como sempre, fizemos manifestação pacífica?, garantiu Josival Oliveira, segundo o qual o Incra precisa superar a burocracia para garantir a aplicação de parte dos recursos ainda sem destinação.