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“� a chance de voltar ao bom caminho”

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?Gosto muito do que faço, acho que é uma oportunidade de ocupar a mente com alguma coisa produtiva?. É dessa forma que Orlando Francisco Cavalcante, de 31 anos, preso por tráfico de drogas, encara o trabalho que faz, montando mesas de xadrez, damas e gamão. Tranquilo, fala sem medo da vida que tinha antes de ser preso, e não se recusa a mostrar-se para as lentes do repórter fotográfico José Feitosa. ?Tem problema não, pode tirar foto?, afirma ele, que está no sistema prisional há um ano e oito meses, à espera de julgamento. Antes de se envolver com o tráfico, Orlando trabalhava como pintor automotivo. Tudo ia bem, até experimentar o crack. ?Aí endoidou tudo. Abandonei a profissão e comecei a vender. É uma besteira que a gente faz. Hoje me arrependo e posso garantir que o crack é coisa do demônio, destrói, torna a gente escravo?, relata. Para Orlando, as terapias oferecidas pelo Núcleo de Ressocialização resgataram sua confiança num futuro diferente. ?Acredito que é a oportunidade de voltar ao bom caminho?, acrescenta ele. Na Fábrica de Esperança está também Adeilton Ferreira, de 33 anos, preso a um ano e nove meses, acusado em crime de homicídio. Ele veio de São Miguel dos Campos, onde trabalhava como vigilante e tinha um pequeno negócio. Com muito cuidado, todos os dias deixa a cela no módulo do trabalhador e vai para a oficina onde modela cavalos, rainhas e reis, peças que vão compor as dezenas de jogos de xadrez produzidas na Fábrica de Esperança.

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