Cidades
Viol�ncia desafia delegados
No coração da Santa Amélia, Alagoas deposita suas últimas esperanças contra a epidemia da morte. Só mesmo com muita fé é possível enxergar hoje uma vitória da segurança pública no Estado com o pior índice de homicídios da história do Brasil. É no bairro com o nome da santa que foi erguida a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), considerada o coração do Plano Brasil Mais Seguro, para combater os efeitos da impunidade, que multiplica o apertar dos gatilhos e as manchas de sangue na terra com metro quadrado onde mais se mata jovens, pobres, negros e mulheres em todo o mundo. Enquanto a Secretaria de Saúde admite que Alagoas voltou ao século 19 por causa das mortes provocadas pelo surto de diarreia, uma epidemia ainda mais fatal consome as entranhas do povo alagoano, como num retrocesso que remete à Idade Média. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o assassinato de 10 pessoas para cada grupo de 100 mil uma epidemia. Em Alagoas, a taxa está mais de sete vezes acima disso. São 72,2 homicídios por 100 mil, de acordo com o Mapa da Violência 2013, realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latinoamericanos. Por trás do birô com imagens do Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida e pilhas de inquéritos, o católico praticante Cícero Lima busca proteção espiritual para coordenar a DHC, à frente da equipe de 111 policiais civis e 9 delegados. Mas também se vale das técnicas de investigação e da pistola com o pente carregado para se defender de qualquer imprevisto.