Cidades
Lei prev� disciplinas sobre a cultura afro na grade curricular
A mulher que joga búzios, no bairro da Pajuçara, é feita no santo há mais de 50 anos. Em sua casa, que não é um terreiro nos moldes tradicionais, recebe pessoas das mais diversas classes sociais. Ali chega médico, delegado, juiz, deputado, dona de casa, comerciário, empresário. Todos vão em busca de orientação para problemas diversos, das questões amorosas à realização de um negócio, à expectativa de um emprego. Mas chegam disfarçando o interesse, claramente constrangidos com a placa na porta em que se lê ?joga-se búzios?. A yalorixá prefere não se identificar nessa reportagem, mas é taxativa ao se posicionar sobre a discriminação da religião africana. ?Sofremos tanto quanto um negro que entra numa loja de grife?, afirma ela, para quem identificar-se como mãe de santo é abrir a porta do preconceito. Aos 67 anos, branca, cabelos loiros, ela revela ter sido vítima de discriminação em várias oportunidades. ?É revelar a religião e receber um olhar atravessado?, diz. Outro importante nome da religião africana em Maceió, Maria Neide Martins, técnica de enfermagem, 52 anos, lembra-se do período em que até os incensos e a bandeira branca, que simboliza o tempo e deve ficar hasteada no alto, eram escondidos para evitar a identificação dos terreiros. Reconhecida como mãe Neide Oyá D?Oxum, ela ratifica as opiniões de pai Célio e da yalorixá da Pajuçara, e vai além ao declarar que o preconceito religioso nasce do racismo e da exclusão imposta ao povo negro, que não aprende na escola a valorizar sua história, seus ancestrais.